E ae turma batuta! Tudo numa nice? Quero falar com vocês hoje sobre a diferença entre as boas práticas vs dia a dia vamos lá?
Joãozinho aprendeu a desenvolver para web no curso técnico. Lá ele descobriu várias e várias boas práticas, descobriu como fazer um código legível, bonito, aprendeu a utilizar metodologias de desenvolvimento focadas em segurança e desempenho, aprendeu diversas formas de manter seu trabalho incólume.
Joãozinho terminou seu curso técnico e foi trabalhar em uma empresa como desenvolvedor web. Chegando lá mandaram ele trocar o mouse do computador do chefe, recarregar o toner da impressora do marketing e entregar até as 5 da tarde a landing page da campanha do site.
Joãozinho se lascou.
Quantos de nós que trabalhamos nas mais diversas áreas (tanto da tecnologia quanto de todas as outras milhares) não nos deparamos com situações do gênero? Na vaga de emprego está: Auxiliar de assistente do zé orelha que ajuda o ajudante do técnico que presta serviço ao pleno que tem o gerente enjoado. Quando na realidade eles querem esse aqui ó:
Clica na imagem e sente o drama.
Eu sempre trago os exemplos profissionais aqui no AcessoME para o lado do TI, do programador, isso se deve ao fato de ser a minha área de trabalho, então acaba sendo mais fácil falar do que eu vivo no meu dia a dia do que o que fico sabendo pelos outros, não é mesmo?
A grande verdade é que hoje em dia a função que está na carteira de trabalho (para aqueles que gostam da carteira de trabalho) pouco importa, e muitas das vezes o(s) trabalho(s) que você vai desempenhar são suficientes pra um grupo pequeno de pessoas e é claro, sobrecarregam uma pessoa só.
O que isso acarreta? Na diminuição da qualidade do trabalho inicialmente, na fadiga do funcionário em um segundo momento, e em erros grotescos e prejuízos para a empresa em questão.
Mas, a culpa é de quem?
Quando se é um profissional qualificado em uma área, como o nosso querido Joãozinho do exemplo “fictício” ali de cima, se aprende as boas práticas, o que se deve e não se deve fazer para que as coisas permaneçam sob controle, afinal, não seriam chamadas de boas práticas se não entregassem resultados.
A culpa é do Joãozinho.
Afinal, quem se sujeita a essa desgraça de sobrecarga de trabalho, desvio de função, parametros baixos de qualidade, falta de equipamento, falta de equipe e falta de ambiente de trabalho salubre é o Joãozinho. Se não está bom, quem deve ser comunicado dentro do ambiente de trabalho para que melhore? Quem tem que agitar as coisas? Joãozinho.
A culpa é da empresa.
Afinal, ela que não sabe o que precisa quando abre a vaga, ela que sobrecarrega o funcionário e não quer nem saber, ela que paga mal, não entrega o ambiente próprio, a equipe necessária, cobra prazos impossíveis, desvia a função e permanece imutável mesmo diante de prejuizos e problemas.
A culpa é do governo.
Que ferra com as empresas cobrando rios de dinheiro pra manter um funcionário dentro dela, aumentando o custo da mesma pra manter o staff em dia. Que ferra com os funcionários (publicos e privados) cobrando rios de dinheiro em impostos, fazendo o pouco que ganham ser ainda menor pra encher os bolsos com nossas suadas moedas.
A culpa é das estrelas de todos nós.
O dia a dia de nós, trabalhadores, quer sejamos da iniciativa publica, privada, empresários, empreendedores, mendigos (porque não?) e mesmo os desempregados, nos mitiga as boas práticas, nos tira nossas especialidades e nos transforma em MacGyvers do dia a dia. Para muitos chefes, gerentes, diretores isso pode ser considerado uma qualidade, afinal, a empresa, o setor publico, o empregador, está ganhando mais por menos, certo? Errado! Essa prática só leva a funcionários que possuem pouco conhecimento em muito que são extremamente desvalorizados e a supervalorização de funcionários especialistas que são raramente requisitados.
O que podemos fazer para mudar esse cenário de merda?
Tentar nos impor enquanto profissionais. Nós estudamos, nos especializamos, praticamos, buscamos aperfeiçoamento e nos envolvemos com aquilo que fazemos. Depende exclusivamente de nós manter o pé firme.
E por hoje é isso, fiquem na paz e de olho no #30JunTexts2016!
Fui!
O trabalho Boas práticas vs Dia a dia de Thiago Faria Mendonça está licenciado com uma LicençaCreative Commons – Atribuição 4.0 Internacional.
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